Terapia com Células-Tronco: Riscos de uma Indicação Inadequada
- Dr Eduardo Menezes
- há 1 dia
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A terapia com células-tronco já é uma realidade na medicina moderna. O uso de Células Tronco Estromais (SVF) e Hematopoiéticas (BMAC)

A terapia com células-tronco já é uma realidade na medicina moderna. O uso de Células Tronco Estromais (SVF) e Hematopoiéticas (BMAC) vem se tornando cada vez mais frequente, principalmente por apresentarem uma vantagem importante: são retiradas do próprio corpo do paciente, caracterizando um enxerto autólogo e eliminando riscos de rejeição.
Diferentemente do que muitos imaginam, essas células não são cultivadas em laboratório. Elas são coletadas de regiões do corpo onde há maior concentração celular, como medula óssea ou tecido adiposo, e posteriormente aplicadas no tecido lesionado.
Uma Terapia Promissora, Mas Ainda Recente
Trata-se de uma terapia relativamente nova, já adotada por diversas especialidades médicas, como:
Dermatologia
Ortopedia
Cirurgia Vascular
Cirurgia Plástica
Medicina da Dor
Existem diferentes técnicas para coleta, processamento e aplicação das células no tecido doente. No entanto, ainda não há uma diretriz definitiva que padronize todo o processo.
Em geral, busca-se realizar a menor manipulação possível do material coletado antes da aplicação, com o objetivo de reduzir riscos de contaminação e preservar a viabilidade celular.
Técnicas Utilizadas e Suas Diferenças
Alguns métodos utilizam apenas a aspiração de medula óssea (BMA) ou gordura (Microfat) com posterior injeção no tecido lesionado. Embora mais simples, essa abordagem pode reduzir significativamente a eficácia do tratamento, sendo indicada apenas quando não há recursos para concentração celular e remoção de impurezas.
As tecnologias mais avançadas visam à separação e purificação celular por métodos mecânicos ou químicos. Podem utilizar:
Instrumentais descartáveis (mais práticos, porém de alto custo)
Materiais aprovados pela Anvisa para esterilização e reutilização
Centrífugas
Decantação por gravidade
Sistemas de filtragem e lavagem do tecido
Cada técnica apresenta vantagens e limitações, podendo inclusive gerar perdas de células-tronco dependendo do método empregado.
Essa diversidade de técnicas e as diferentes regiões doadoras de células influenciam diretamente nos resultados da regeneração tecidual, o que pode gerar frustração em pacientes que esperam cura ou recuperação completa.
O Principal Problema: Indicações Inadequadas
Apesar de muito promissora e capaz de gerar resultados surpreendentes, elevando a medicina regenerativa a um novo patamar, a maior preocupação atual está nas indicações inadequadas.
A terapia com células pouco diferenciadas não tem o poder de curar todas as lesões ortopédicas.
Ela pode:
Reduzir dores em articulações com artrose leve ou moderada
Retardar, em alguns casos, o desgaste da cartilagem
Estimular cicatrização de pele, úlceras e tendões
Porém, seu uso em determinadas regiões do corpo tem gerado complicações importantes.
Riscos na Coluna Vertebral
Há relatos de casos em que não houve melhora após aplicação nos forames ou no canal medular da coluna vertebral. Posteriormente, ao se realizar cirurgia, observou-se formação de fibrose epidural, dificultando significativamente o procedimento e podendo gerar complicações mais graves.
O tratamento de hérnia discal ou estenose de canal medular deve ser realizado, preferencialmente, por descompressão cirúrgica, seja por técnicas minimamente invasivas ou convencionais.
Por outro lado, a terapia regenerativa pode ter melhor indicação no tratamento de:
Facetas articulares degeneradas
Discos intervertebrais com desgaste ou desidratação
Nesses casos, a formação de tecido conjuntivo pode ser mais benéfica.
A Importância da Escolha Correta
Esse cenário reforça a necessidade de:
Escolha adequada da técnica a ser aplicada
Indicação precisa da doença a ser tratada
Alinhamento realista de expectativas
Uma indicação equivocada pode não apenas gerar frustração, mas também complicações, como aderências em regiões onde a mobilidade é essencial.
Cada vez mais, o tratamento personalizado tem se mostrado fundamental. É preciso compreender:
As diferentes doenças
As condições clínicas de cada paciente
As limitações individuais de regeneração
Evitar expectativas irreais também faz parte do cuidado responsável.
Conclusão: Nem Toda Doença Deve Ser Tratada com Terapia Celular
A terapia celular não serve para tratar todas as doenças do aparelho locomotor.
Em muitas situações, ainda é necessário recorrer aos tratamentos tradicionais, já consolidados pela medicina, respeitando seus limites enquanto a ciência continua avançando.
O futuro da medicina regenerativa é promissor e pode, progressivamente, reduzir a necessidade de próteses, implantes e cirurgias de grande porte. No entanto, no momento atual, o mais importante continua sendo a indicação correta.
Se você deseja saber mais sobre o tema e entender qual é o tratamento mais adequado para o seu caso, agende uma consulta médica especializada.




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